victor com c

lembra da primeira definição de blog? pois é.

Publicado em Uncategorized por Victor em 30/12/2010

Meu colégio não tinha turmas além da quarta série. Quando finalmente terminei a primeira metade do ensino fundamental, escolhi ir para o colégio que me parecia melhor, embora todas as outras crianças fossem (quase todas) para outra escola. No carro, voltando de viagem, comecei a chorar porque não ia mais ver meus amigos. Meu pai disse que amigos vão e vêm, que eles mudam com o tempo, que nós nunca somos amigos das mesmas pessoas para sempre. Acho que esse momento, cristalizado na minha memória — talvez a única vez em que eu e meu pai conversamos, assim, como um pai ensina o mundo ao filho –, explica muita coisa sobre minhas amizades do passado: eu não tenho amigos de infância, eu não tenho amigos do meu primeiro colégio, eu não tenho amigos do ginásio, eu não tenho amigos do ensino médio. Não que seja fácil, o sofrimento está sempre presente, mas eles vão e vêm. E se explica as amizades de então, explica tão bem as amizades de agora. Sou dos melhores amigos de quem? Amigo de quem para a vida? Não sei criar esse sentimento. Acabo ficando do lado mais fraco das amizades dos meus amigos. Por isso eu chorei tanto quando a Paula foi morar em Belo Horizonte. Foi a primeira e mantém-se a única vez em que eu me senti realmente — não querido, não amado — necessário. Mas seis meses longe, e aquela conversa com meu pai no carro na quarta série, seis meses mudam muito. Hoje eu estava vendo as fotos dos meus amigos online. Eu dificilmente apareço em fotos, não me incomodo, então o que me despertou a atenção não foi que eu não estava nas fotos. O que despertou minha atenção foi o sentimento de que não pertenço àquelas fotos, àqueles lugares, àqueles rostos, àqueles braços. Eu serei feliz se, em algum tempo, puder descobrir o quanto estava errado. Mas acredito que amigos vão e vêm. E acho que — eu fui ou eles foram é uma questão de onde se posiciona o observador — fomos.

2 Respostas

Assinar os comentários com RSS.

  1. Livro Seo disse, em 16/02/2011 às 18:37

    Uau, tinha teu blog salvo nos favoritos, resolvi acessar hoje e gostei

  2. irrideo disse, em 20/02/2012 às 14:02

    Oi Victor. Sei que não nos conhecemos direito nem nada, por isso peço que não leves a mal o que vou dizer. É que sempre que leio esse teu texto tenho vontade de te dar um abraço. Esse sentimento de não-pertencimento talvez seja aquilo que não vai – e que nos une a todos.

    Um abraço :)


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.