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Talvez seja a maior crueldade não ter quem por quem sofrer de amor
lembra da primeira definição de blog? pois é.
Meu colégio não tinha turmas além da quarta série. Quando finalmente terminei a primeira metade do ensino fundamental, escolhi ir para o colégio que me parecia melhor, embora todas as outras crianças fossem (quase todas) para outra escola. No carro, voltando de viagem, comecei a chorar porque não ia mais ver meus amigos. Meu pai disse que amigos vão e vêm, que eles mudam com o tempo, que nós nunca somos amigos das mesmas pessoas para sempre. Acho que esse momento, cristalizado na minha memória — talvez a única vez em que eu e meu pai conversamos, assim, como um pai ensina o mundo ao filho –, explica muita coisa sobre minhas amizades do passado: eu não tenho amigos de infância, eu não tenho amigos do meu primeiro colégio, eu não tenho amigos do ginásio, eu não tenho amigos do ensino médio. Não que seja fácil, o sofrimento está sempre presente, mas eles vão e vêm. E se explica as amizades de então, explica tão bem as amizades de agora. Sou dos melhores amigos de quem? Amigo de quem para a vida? Não sei criar esse sentimento. Acabo ficando do lado mais fraco das amizades dos meus amigos. Por isso eu chorei tanto quando a Paula foi morar em Belo Horizonte. Foi a primeira e mantém-se a única vez em que eu me senti realmente — não querido, não amado — necessário. Mas seis meses longe, e aquela conversa com meu pai no carro na quarta série, seis meses mudam muito. Hoje eu estava vendo as fotos dos meus amigos online. Eu dificilmente apareço em fotos, não me incomodo, então o que me despertou a atenção não foi que eu não estava nas fotos. O que despertou minha atenção foi o sentimento de que não pertenço àquelas fotos, àqueles lugares, àqueles rostos, àqueles braços. Eu serei feliz se, em algum tempo, puder descobrir o quanto estava errado. Mas acredito que amigos vão e vêm. E acho que — eu fui ou eles foram é uma questão de onde se posiciona o observador — fomos.




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